Olá!
Em
nosso último artigo dissemos que o mundo só se abre como mundo quando entramos
em contato com o limite.
Observe
os objetos que há na sua frente neste momento.
Provavelmente há um computador, um telefone celular
ou tablet onde está lendo esse texto
neste exato momento. Deve haver também outros objetos e/ou pessoas. O
importante aqui é, como você, caro leitor, pode distinguir entre um objeto e
outro? Por que não é tudo simplesmente amorfo diante de você?
Você
estará certo se tiver pensado em que os objetos são diferentes uns dos outros.
Um atende a um padrão aprendido do que é um celular por exemplo, outro atende a
outro padrão, e todos provavelmente atendem a padrões de percepção visual
relacionados a profundidade, luminosidade e relações de cores. Você está
interpretando as suas sensações, organizando-as em padrões de forma muito
complicada, sem nem precisar pensar para isso. Essa organização é uma espécie
de enquadramento que estabelece fronteiras entre o que é uma coisa, o que não é
ela e o que é outra coisa, ou seja, limites.
Conseguimos
distinguir uma coisa de outra pois há entre elas um limite, uma fronteira, e só
por causa de limites algo pode existir ou fazer sentido para nós, não sendo tudo
uma coisa só, amorfa e caótica (como era a princípio no início da nossa
jornada). Isso não serve apenas, é essencial dizer, para aquilo que se encontra
aparentemente fora de nós, mas para nós mesmos diferenciarmos o que sou “eu” e
o que não sou “eu”.
A
ideia de limite nos remete, muito naturalmente, ao seu oposto, ou sua ausência,
que tendemos a considerar liberdade. A nossa busca por realização tende a
alguma ideia de liberdade, e isso é muito claro a partir do ponto em que nossa
referência para a felicidade é um estado perdido que facilmente interpretamos
como uma experiência de onipotência (o narcisismo primário), sendo a
onipotência a ausência total de limites. E está aí traçado um dilema
fundamental. Precisamos de limites para podermos existir e ser no mundo, mas os
limites, ou impossibilidades, são justamente aquilo que nos impede uma
felicidade absoluta e perene, por mais que fantasiosa.
Nossa
busca, no entanto, nos leva a caminhar, e a felicidade que podemos almejar
parece estar no equilíbrio entre o anseio de liberdade e a necessidade do
limite. Nada que se tenha feito ou se faça em educação parece atender propósito
muito distante deste, nem nenhuma disciplina ou tradição já criada, e se
continuamos a criar e a melhorar, é que a busca, a vida, permanece a nos
animar.
Pais,
se o limite excessivo enrijece e desconecta a pessoa do seu anseio fundamental,
por outro lado, a falta de limites atrapalha que se firme os pés no chão do
mundo, evita o amadurecimento e favorece os atalhos fantasiosos para sucessos
sem esforço, que parecem estar tão em moda.
O
termo “Ai” de Aikido, representa uma ideia que se pode traduzir como amor, paz,
união, harmonia, em um sentido muito similar ao de que estamos aqui tratando
por equilíbrio.
Até
o próximo texto, onde exploraremos melhor esse assunto! Uma boa semana a todos.
Leandro Barbosa da Silva
Psicólogo – CRP 12/13919
47
9717 4864
47 3027 1728
Espaço
Psicológico D´Etude
R. Alexandre Dohler,
129; Sl. 704
Joinville - SC
Parceiro do Instituto Tachibana de Aikido



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